domingo, 25 de novembro de 2012

Rosa do Mundo




Morro para voltar um dia
Um dia em que o sol destorça
o espelho do mundo....

Estou cego e espero que o sol ilumine
As coisas belas do mundo,
Aquilo que me abre a
Vontade de viver,
De ser algo.

Olho com os meus olhos
Cinzentos e meigos vidrados
Em sangue
O Mundo
A Rosa
que
Pica a minha áura.



Porescrito




sexta-feira, 19 de outubro de 2012

deaf shepherd





Lamentos retumbantes
preces redundantes
por onde andas Pastor?

Bom Pastor
o que por entre
os uivos lobos
nos conduz

No prado de erva cinza
a densidade, o ar,
abafa voz nossa
se nos perde toda
no éter
a vibração d'esperança

Fé...
não sei o que é
por definições
dadas ou por vir dar
nessa bandeja de explicação
não a migalho

eu quero é
sentido-A
TÊ-LA

por isso ainda
Lhe grito
Lhe atiro com TODA a minha RAIVA
com TODO o meu INSULTO

. . . Para que oiças Pastor !
TE INSULTO . . .


P h 5.c i n C O



domingo, 30 de setembro de 2012

O MEU CANTO



Estou disperso em mim
Nas chamas douradas
Do tempo!
Nos sorrisos presos por um fio

Vivo de luz da fresta da janela
Bebo de águas de esmeralda
Que correm junto da minha janela
Embebido em tempo e desejos!

A debater-se contra as paredes
Frias da escuridão do meu quarto…
As nuvens choram e escrevem com
Gotículas, as páginas da minha vidraça

As nuvens pintam seus códigos no céu
E a lua define-lhes a sua imortalidade
Escrevo no meu caderno
Os textos do céu
Guardados por um manto de névoa
Envolto em mim
Num quarto escuro, meu berço do mundo

…

Onde guardo as páginas da minha solidão! ...



Ouve-se a voz do vento
Uma voz misteriosa…
Uma língua mais antiga que o tempo
Mais antigo do que a existência da vida

Guarda segredos, que conta a
Quem quiser ouvir…
  


Porescrito



FALTA





Passa este ciclo eterno
Passa a vida por mim
Nem me esboça um olhar
Um perdão

Falta algo em mim
Algo que eu não sei
Essa falta seca-me a vista
…
Não vejo o que está em mim
Essa intuição de ser eu
De desenhar a vida na minha cabeça
Mas não posso desenhar o que não existe

O que está perdido
Encostado a um canto de mim
Sozinho…

A aguardar a falta
Para ter vida após o fim!
A falta é uma ausência de algo
Não uma ausência de mim…



Porescrito



sábado, 22 de setembro de 2012

cela







ao canto da cela escura e solitária me encontro
oiço o metal da pequena janela da grande porta deslizar
"segue-me!"

a porta abre-se, e atravesso um e depois outro corredor
bastante iluminado, demais até, começo a sentir náuseas

por fim chego a sala, brutalmente iluminada e brutalmente ruidosa
visitantes atiram berros
reclusos atiram berros de volta
no intuito de se fazerem perceber, para além das filas
três filas de grades que os separam
minha irmã, visitante no meio de visitantes
minha única família, desde que fui colocado aqui no hotel
intensificam-se as náuseas, a ponto de insuportáveis
viro costas, o guarda balbucia algo que não entendo
faço-lhe apenas um gesto com a mão e saio da sala

prefiro ficar na minha cela
é escura e silenciosa
isso reconforta-me

;
o imberbere

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

PROFUNDIDADE DAS PALAVRAS








Por vezes as […]
Podem perfurar mais do que
“A afirmação”
O que será a seguir?...
Ao longe habita um […]
ele é o sinal do horizonte

O Medo de ficar a perder
É constante
A incerteza do incerto
Do próprio futuro
Dos seus caminhos
Cerra os olhos e imagina
sente as gotas do poço do fim
tocarem-te a alma

 Que virá depois...?


Porescrito



terça-feira, 21 de agosto de 2012

hoje não fainamos







gotas da maré
fustigam a vidraça
desta velha barraca
que nos serve a nós
alcoólica melancolia
hoje não fainamos
hoje bebemos
ao companheiro
que o mar para si quis

mais um copo, agora
a ti meu miserável
que sopras na vidraça
e nos bates á porta
queres entrar e
fazer-te convidado
a mando do mar
teu velho amigo
foste enviado
para da perda
nos troçar
;
o imberbere